Opinião

[Opinião] 10 anos do NAI: marco na promoção da acessibilidade e da inclusão

Trajetória do órgão se confunde com a luta pelos direitos das pessoas com deficiência na UFMG, escrevem diretoras

.
Serviço de tradução e interpretação em Libras figura entre as várias atribuições do NAIFoto: TV UFMG

Neste 27 de fevereiro de 2025, o Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI) completa 10 anos de existência, uma oportunidade importante para celebrar os avanços alcançados na promoção da acessibilidade e inclusão na UFMG. 

A trajetória do NAI se confunde com a luta pelos direitos das pessoas com deficiência na UFMG. Desde a década de 1990, diversas iniciativas e projetos já buscavam garantir a acessibilidade e a inclusão na Universidade. Em 2014, servidores docentes, servidores técnico-administrativos que desenvolviam projetos e ações de acessibilidade e inclusão na UFMG, em conjunto com representantes discentes, reuniram-se em uma comissão especial designada pela Reitoria para apresentar uma proposta institucional de apoio às pessoas com deficiência da UFMG. Esse trabalho culminou com a criação do NAI no ano seguinte. A partir dali, as ações foram unificadas e ganharam força com a organização de iniciativas e políticas coordenadas.

Desde sua criação, o NAI tem como responsabilidade propor, organizar, coordenar e executar ações para assegurar e garantir as condições de acessibilidade necessárias ao ingresso, à permanência, à plena participação e à autonomia das pessoas com deficiência no âmbito da UFMG, o que maximiza seu desenvolvimento acadêmico, profissional e social.

Ao longo desse período, o NAI tem atuado para ampliar a acessibilidade física, comunicacional, pedagógica, atitudinal e nos transportes na UFMG, oferecendo uma ampla gama de serviços para promover autonomia e igualdade de condições para pessoas com deficiência no ambiente acadêmico. Suas atribuições incluem, entre outras, a produção de materiais didáticos acessíveis, treinamentos para uso de tecnologias assistivas, monitorias especializadas, auxílios pedagógicos, serviços de tradução e interpretação de Libras, treinamentos para deslocamento por rotas acessíveis e transporte adaptado no campus Pampulha.

Entre as conquistas, destacamos a criação do Programa de Incentivo à Inclusão e Promoção da Acessibilidade (Pipa), que, desde 2016, vem apoiando diversos projetos da comunidade acadêmica destinados à promoção da acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência no âmbito da UFMG.

O NAI também elaborou e oferta regularmente, em parceria com outras instâncias da Universidade, formações para servidores, docentes e discentes, como os cursos Inclusão com atitude e Acolhimento às pessoas surdas na UFMG: da sala de aula aos setores administrativos, além da disciplina UNI285 Acessibilidade e inclusão no ensino superior, vinculada à Formação Transversal em Acessibilidade e Inclusão.

Apesar dos avanços significativos, ainda há muito a ser feito para garantir a inclusão plena das pessoas com deficiência na UFMG.

Além disso, o NAI criou e utiliza, desde 2023, o "cartão de acessibilidade", documento que indica as demandas específicas de acessibilidade de cada estudante com deficiência. O NAI também aprimorou sua avaliação biopsicossocial da deficiência para os candidatos às vagas reservadas para pessoas com deficiência, após capacitação dos avaliadores. A UFMG é uma das primeiras universidades brasileiras a utilizar a avaliação biopsicossocial com instrumento padronizado de avaliação, o Índice de Funcionalidade Brasileiro (IFBr), que atende aos princípios da Lei Brasileira de Inclusão.

Todos esses avanços são fruto de um trabalho contínuo e dedicado de muitas pessoas, entre servidores do NAI, gestores da UFMG, estudantes, docentes, colaboradores e parceiros externos.

Apesar dos avanços significativos, ainda há muito a ser feito para garantir a inclusão plena das pessoas com deficiência na UFMG. Entre os desafios, destacamos a busca contínua por recursos para melhorias de acessibilidade arquitetônica, a consolidação de ações em rede, envolvendo toda a comunidade, a ampliação das ações de formação e capacitação e o investimento em pesquisas, estudos e debates sobre a temática da deficiência para promover a inclusão em todas as áreas da Universidade.

Nesta data especial, o NAI agradece às pessoas que têm contribuído para a construção de uma UFMG mais acessível e inclusiva. Agradecemos aos servidores do Núcleo, que se dedicam diariamente à promoção da acessibilidade e inclusão, aos estudantes com deficiência, que nos mobilizam e conosco constroem possibilidades, às direções que nos antecederam, aos gestores da UFMG, que apoiam e investem nas ações do NAI, aos docentes e servidores, que colaboram para a criação de um ambiente mais acolhedor e inclusivo, aos colaboradores e parceiros externos, que nos ajudam a ampliar o impacto do nosso trabalho.

 Em permanente construção, o NAI é uma obra coletiva, moldada por muitas mãos e mentes, em favor de um futuro mais acessível e inclusivo para a UFMG.

Regina Ribeiro e Daniela Vaz | diretoras do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão da UFMG